| MOÇA COM CHAPÉU DE PALHA
__Fingindo-se de estátua na frente da pia, dona Alice, lenta, lava algumas verduras sob o jorro da torneira e ouve nossa conversa. Seus ouvidos estão abertos, mas bem disfarçados por baixo dos cabelos, agindo na clandestinidade. Lava tudo novamente com zelo vagaroso e olhar desatento, já que não precisa dos olhos. Então interrompe o ruído nervoso de água jorrando e começa a picar as verduras. A faca penetrando nas folhas enroladas da couve produz um som vibrátil, quase surdo, que não atrapalha sua escuta. Mais tarde, vai dizer ao marido que falamos sobre coisas incompreensíveis. Eu a conheço. O sol, que agora entra derramado pela porta dos fundos, já está um sol cheio, vistoso e um pouco quente, nem assim dona Alice demonstra pressa nenhuma, fascinada por esta conversa que não entende.
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